Um jogo amistoso de futebol entre Espanha e Egito, realizado no Estádio RCDE, terminou sem gols, mas o resultado foi ofuscado por uma questão muito mais grave. A partida em Cornellà-El Prat foi marcada por cânticos racistas, somando-se a uma crescente lista de incidentes semelhantes no futebol espanhol. Torcedores foram ouvidos gritando «Quem não pula é muçulmano» em direção aos jogadores egípcios, e a seleção visitante foi vaiada ruidosamente antes do pontapé inicial.
Apesar da natureza claramente racista desses cânticos, o protocolo antirracismo não foi acionado. Aparentemente, o árbitro Georgi Kabakov não foi informado dos incidentes, permitindo que a partida continuasse sem interrupções.
O Retorno do Problema do Racismo no Futebol Espanhol
Este evento deplorável traz novamente à tona o problema persistente do racismo no futebol espanhol, uma questão que assola o esporte há anos. O momento é particularmente crítico, considerando que a Espanha será coanfitriã da Copa do Mundo de 2030, juntamente com Portugal e Marrocos, uma nação com população predominantemente muçulmana.
O incidente destaca a falta de progresso significativo no combate ao racismo, apesar dos apelos anteriores por ação. Em 2024, por exemplo, Vinicius Junior, alvo frequente de abuso racista, defendeu que os direitos de sediar a Copa do Mundo da Espanha fossem retirados se a situação não melhorasse. Este último episódio no Estádio RCDE, ocorrido 18 meses depois, sugere que pouca coisa mudou.
A Federação Espanhola de Futebol tem historicamente adotado uma postura de tolerância zero em casos semelhantes. Portanto, é esperado que sanções severas sejam impostas aos torcedores envolvidos nesses cânticos racistas, em um esforço para lidar com mais um capítulo lamentável na história do futebol espanhol.
